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Sofrimento como motor para autotransformação

Nigredo

Nigredo. Este é o nome que se dá à noite escura da alma.

A dor de lidar com aspectos da alma, às vezes, pode ser profunda. Encarar as sombras, as consciências internas, nunca é tarefa fácil.

É natural que nós, seres humanos, evitemos o sofrimento e a dor, mas quem de nós está livre desses aspectos da vida? Desejamos evitá‑los a todo custo; não gostamos de olhar para eles. Mas você já parou para ouvir essas vozes interiores? Afinal, de onde elas vêm? Às vezes parece até mesmo que elas são vivas e possuem consciência própria. Quanto mais negamos, mais fortes e barulhentas elas se tornam. O que elas querem, afinal?

Segundo Carl Gustav Jung, essas vozes da consciência são, muitas vezes, autônomas. E elas fazem parte de nós. Muitas delas me disseram que eu não deveria escrever este texto; que ninguém o leria ou se interessaria em lê‑lo.

Contudo, assim como a consciência possui sombras mais obscuras, tão profundamente enraizadas em nossa psique, também possui, aparentemente, um aspecto divino, que Jung chamava de “numinoso”. Pode parecer clichê falar disso, mas é um fato importante a se lembrar. Vivemos em um mundo cada vez mais confuso, polarizado e obscurecido. O mundo, assim como nós, parece atravessar o nigredo. No entanto, este texto não tem como finalidade ser pessimista ou apocalíptico. Em minhas reflexões tenho pensado muito a respeito do sofrimento pelo qual passamos. Muitas vezes nosso desespero é fruto de um profundo desconhecimento de nós mesmos. É fruto da falta de sentido crônica, da falta de autenticidade nos modos de ser quem somos de fato.

Você, leitor, conhece a si mesmo?

Já olhou para dentro de si e se perguntou por que é dessa ou daquela maneira? A nossa consciência é algo vivo; olhar para dentro de nós é enxergar quem somos, é entender nossa simbologia pessoal. Quando buscamos o contato com nosso Self, com nosso Deus interno, conseguimos começar, paulatinamente, a compreender quem de fato somos. Às vezes o nigredo se manifesta como um grito da alma em busca de ser escutada, de ser ouvida. A vida interior precisa ser vivida e o caminho é solitário, cheio de percalços e de dores, mas é a única forma de nos realizarmos como indivíduos. É deixando a alma transbordar, manifestar‑se, que encontramos nossa verdadeira essência.

Não tenha medo de atravessar os vales escuros da consciência, pois é lá que vivem, muitas vezes, seus aspectos mais interessantes. É onde vivem partes de você que nunca imaginou que existissem. Não tenha medo do Si-Mesmo.


Este texto é parte de uma coletânea de escritos pessoais sobre autoconhecimento.


Esta postagem está licenciada sob CC BY 4.0 pelo autor.